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Vende mais porque é barato ou é barato porque vende mais?

Atualizado: Mar 13


O século 21 trouxe uma avalanche de informação através da rede mundial de computadores. São uma infinidade de dados que circulam todos os dias, sejam eles por computadores fixos, portáteis e aparelhos celulares. Em apenas um minuto, há 1 milhão de logins no Facebook, 3,8 milhões de buscas no Google, 4,5 milhões de vídeos são vistos no YouTube e 87 mil pessoas tuitando, segundo estudo da Visual Capitalist.

A tendência é que isso aumente em 2020 e que não se estabilize tão cedo, quiçá, diminua. Plataformas como Spotfy, YouTube, Deezer entre outras, são grandes responsáveis pelo crescimento desse tráfego de informações e pela globalização dos dados e, não obstante, do acesso via streaming de músicas do mundo todo.


Toda essa facilitação de acesso é um grande negócio para quem produz música (ou reproduz) como para quem faz disso uma galinha-dos-ovos-de-ouro vendendo e viabilizando o caminho entre quem produz e quem procura tais mídias. Pobre das finadas fitas cacete, dos CDs e vinis, embora estes últimos estejam em moda e têm ganhado bastante espaço entre os mais nostálgicos.


É uma alta demanda, uma grande vitrine que, obviamente, tem sua procura igualmente lacunar. Em fevereiro de 2019, somadas as principais plataformas de música, foram em torno de 29 milhões de visitas, tendo o Spotify responsável por 65.20% da demanda, segundo informações da plataforma SimilarWeb, divulgadas pelo site “e-commercebrasil”.


Se existe tanta oferta, há demasiada procura e é aqui que eu explico o título deste post. São centenas de estilos musicais, incontáveis releituras e inumeráveis composições que são “upadas” todos os meses para todos os gostos. Aí, é que vem o ponto arguto: tais gostos são duvidosos ou nem se discute? O que eu quero aqui colocar em xeque é a experimentação técnica dentro de todo o processo de produção musical, visto que em muitos dos casos ela se resume em um produtor, o artista e um computador em um estúdio, em revés às grandes trilhas de instrumentos que se criavam nos projetos, sem contar todo empenho e horas de captação, gravação, mixagem, masterizacão e depois, na prensagem das mídias físicas.


Quem nunca disse, ouviu ou pensou: “como a qualidade musical caiu no decorrer dos anos...”.


Será isso realmente verdade? Façamos a seguinte analogia: em Curitiba, nos primeiros seis meses de 2019 foram registrados, segundo Secretaria de Estado da Segurança Pública e Administração Penitenciaria do Paraná, 3.511 casos registrados em boletins de ocorrência, chegam a uma média de 20 casos por dia. É um número bem significativo e cabe a pergunta: para onde vão os veículos roubados? Notoriamente existe um mercado negro de peças e um público contraventor que recepta tais produtos frutos de ilícitos. No caso da música, das produções contemporâneas ocorre o mesmo, se há produto considerado de má qualidade, é porque existe que os consuma, ou seja, se há também uma qualidade de público ruim, a qual não se importa para a riqueza ou não existente nos produtos lançados, já que a efemeridade com os quais a internet suporta logo os jogará no limbo do esquecimento. Quantos sucessos e artistas de um sucesso só você conhece? E quantos sucessos de verão não caem no esquecimento antes do dia das mães é possível lembrar?


Em suma, há sim uma quantidade abrupta de produtos em qualidade pífia, mas, também, existem aqueles que consomem a junk food da alma, que não vão ao teatro, que têm horror a dança e preferem esquentar a cerveja com a mão a minimamente sacolejar os pés, ou, consomem música de produção técnica péssima e/ou com letras que se resumem a onomatopeias e/ou cunho apelativo.


Vende mais porque é barato ou é barato porque vende mais?


Oremos!

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